terça-feira, março 15, 2005

 

Minha primeira vez no Desireé

Na nossa primeira vez foi uma adrenalina só. Estávamos muito nervosos e suando frio. Não sabíamos o que viria pela frente, não havíamos conversado com ninguém sobre o clube, não tínhamos nenhuma idéia do que iria acontecer.Quando chegamos fomos muito bem recebidos e convidados a conhecer a casa. Vocês não imaginam o nosso nervosismo. Subimos aquelas escadas e entramos no salão sempre acompanhados pela esposa do Maurício. Foi muito bom e ao mesmo tempo difícil enfrentar tudo isso, uma mistura de satisfação e medo.
Ane


Essa sensação é familiar à grande maioria dos casais swingers: a primeira vez no Desireé a gente nunca esquece. Sensações, medos, receios e vontades bem expressas por Rubi:

Um amigo me falou de uma casa para casais: fiquei com aquilo na cabeça, como funciona? onde deve ficar? o que rola lá dentro? orgias? suruba? Meu namoradinho da época se informou até que achou o Desireé Swing Club. Marcamos pra ir, mas amarelei. Desisti nos últimos momentos. Mesmo tendo a curiosidade de conhecer um lugar totalmente fora dos "padrões normais", eu tinha medo de encontrar alguém conhecido: o que iriam pensar de mim? Passou uma semana, eu me preparei muito psicologicamente, aí rolou.
Rubi


O ritual de entrada neste mundo (e, para descobrir, efetivamente, o que "rola lá dentro") que é tão marcante para os casais iniciantes é, porém, uma atividade banal para os funcionários da casa: ao chegar você segue alguém do clube pelas várias salas: a pista de dança (até aí, tudo normal), os banheiros (ok, já estamos mais calmos), descemos para os quartos coletivos (ih, agora vem), a suíte individual (ufa, tudo bem, é igual à do motel), a cadeira erótica (com sofazinho do lado: todo mundo pode ver?), as camas coletivas (lá estão elas!).

Essa emoção inicial é bem descrita pela Rubi:

Eu olhava tudo, observava tudo, como se fosse uma criança de colo. Olhava cada espaço... tudo pra mim era diferente. Meu Deus, o camão então... o que era aquilo??!! (risos)
Rubi


Quem está há mais tempo na casa reconhece o comportamento de um casal novato - até porque já foi o seu próprio comportamento, algum dia: o homem com cara de "que horas tudo começa?" e a mulher com jeito de "se passar a mão na minha bunda, eu grito". Ficam sentados a maior parte do tempo, olhando nervosamente para os lados, tentando se ambientar.
Tudo é muito diferente: de repente, duas mulheres vão se encontrar na sua frente, e trocar beijos na boca; o homem ao lado irá brincar com os seios da esposa na frente de todos; o stripper do tamanho de um jipe tirará a roupa da menina no meio do salão...

Credo!... e que legal.

Para o Casal Apaixonado, a expectativa do que iria acontecer e o que realmente encontraram dentro da casa foram bastante diferentes:

Nossa primeira vez foi num baile de carnaval (no Baile de Máscaras). Colocamos rápido as máscaras e fomos conhecer a casa com o Mauricio (inseguros e com medo de encontrar alguém conhecido), e fomos muito bem atendidos. Vimos que era bem diferente do que achávamos que era, pois o pensamento geral do pessoal de fora é: se você largar sua mulher sozinha tá perdido, já era... (risos). O que é bem o contrário, fazemos o que queremos, ninguém nos obriga ou força nenhuma situação, se quiser ficar sentado a noite inteira, tudo bem.
Casal Apaixonado


Em toda noite podemos encontrar gente nova na casa: tentando se ambientar rapidamente e escutando as explicações dos funcionários da casa.

Para Maurício, o administrador do Desireé e a cara mais conhecida do clube, o atendimento aos novos casais já segue padrões e é uma atividade corriqueira - existe até um "roteiro" com as dúvidas e respostas mais comuns.

Damos uma média de 100 informações semanais para casais novatos.
As dúvidas e perguntas geralmente são quase as mesmas: onde fica, o preço, como é o local e principalmente, se existe a obrigatoriedade de participar de algo ou não - mas tem casais que a gente diz brincando que até a cor do carpet da casa eles querem saber (risos).
Maurício


AS DESCOBERTAS
Entrar em um clube de swing é descobrir que, em algum lugar do planeta, as pessoas tratam a sexualidade como assunto normal das conversas e das ações. O bate papo pode começar com as delícias do sexo oral na cadeira erótica e logo passar para o aumento no valor da mensalidade da escola dos filhos. E nas atitudes, o clima de liberdade é o mesmo.

Como somos todos criados em uma sociedade em que o sexo é visto como algo privado e secreto, todos se impressionam, em alguma medida, ao chegar no Desireé. O que varia é a forma como os casais encaram esta novidade.

Para o casal AeC, o clima de sensualidade e, ao mesmo tempo, de respeito, foi o que mais chamou atenção.

Mesmo quando fomos pela primeira vez na cadeira erótica, achávamos que seríamos atacados (risos). Mas que nada... O que mais nos divertiu é que um casal, deliciosamente, ficou sentado no sofá nos observando. O clima de sensualidade no ar dava para cortar com uma faca, e mesmo assim havia o respeito. Ficamos seguros.
AeC


As camas coletivas são o que há de mais característico em uma casa de swing. São os "altares" próprios destes templos, e a principal parte da casa que todos querem ver pela primeira vez.

Participar de uma "atividade" nela é quase que como uma iniciação: ultrapassa-se o limite de "observador" e passa a ser um "participante" ativo.

Afinal, ali você não apenas está sendo observado mas, também, está transando em um mesmo ambiente com vários casais.

Todo aquele clima de sexo no ar nos deixou louco e começamos a nos soltar. Queríamos experimentar tudo, mas já estava tudo terminando, pois demoramos um pouco para entrar no clima. Assim mesmo transamos em um quarto coletivo só nos dois. Foi demais! E resolvemos voltar.
Ane


VOLTANDO À CASA
Por que voltar? A resposta é diferente para casa pessoa, para cada casal.

Voltei porque estava afim de dançar e achei um lugar legal pra sair, ver gente nova, bonita, alegre. Voltei a me divertir e foi uma das minhas melhores noites da minha vida, dancei muito, participei da brincadeira do relogio, achei um máximo. Me senti muito desejada, como nunca tinha me sentido antes.
Rubi


Na verdade, o sucesso da primeira noite (e, por "sucesso", entenda-se aquele pessoal que acaba voltando) não depende tanto da própria casa. Dependerá, em maior parte, do próprio casal.

Como assim? É bastante comum vermos aqueles casais que ficam só na mesa - não dançam, não conhecem os quartos coletivos, não participam de nada - e vão embora cedo. São casos típicos em que apenas um dos cônjuges tem fantasias, e o outro só o acompanha, seja por educação, seja para "tentar colaborar", seja por obrigação. O resultado não pode ser outro: o fracasso da noite. É aí que encontramos a resposta para a volta e o sucesso da primeira noite.

Houve o nervosismo da experiência inicial, mas há, agora, o desejo de experimentar mais.
Temos que dizer ainda que se nós éramos fogosos na cama agora, então, nem se fala: é uma loucura.

Transamos todos os dias e pensamos muito no Desireé e em nossas novas experiências. Ou seja, esse clima todo do clube é uma espécie de imã que nos atrai sempre. E olha que nos só fomos 3 vezes na casa... portanto, fomos fisgados.
Ane


PARA TERMINAR
Swing só é possível quando for uma fantasia de todos os envolvidos. Se é o desejo de apenas do homem ou da mulher, dificilmente haverá sucesso, empatia ou gosto pelo local.

Para os casados, o swing irá ampliar as características que já existem no casamento. Se este for sólido, e com fantasias, o swing irá melhorá-lo; por outro lado, se estiver enfraquecido e capengando, o swing irá enfraquecê-lo ainda mais. Os casais mais experientes sabem: swing não salva casamento - apenas melhora e apimenta os que já são bons.

Tínhamos que estar certos do que queríamos. Bem, na melhor das hipóteses, a gente precisava ter fantasias semelhantes. Eu não iria lá se apenas o meu marido estivesse afim... acho que nem o inverso seria certo.
AeC


Mas, por outro lado, não se iluda: se o casal tem a fantasia de swing, não espere ficar 100% pronto para ir à casa - porque este dia, na verdade, nunca vai chegar. Deve-se conversar, trocar idéias, mas sempre se percebe que nunca se está completamente preparado. Sempre haverá o medo e o receio; mas o que deve levá-los à casa é o desejo de temperar a relação, e de tirar as fantasias de dentro da cabeça e realizá-las.

É como diz o Casal Apaixonado

Muitos homens preferem sair sozinhos para a noitada (mentem que vão no jogo, para uma reunião, etc), deixando a mulher em casa. Meu marido preferiu investir em nós: se um pode o outro também pode. Então, optamos por sairmos juntos. Lógico que tivemos nossas cenas de ciúmes, como qualquer casal, mas aprendemos a lidar com isso.
Casal Apaixonado


O mundo do swing é um conto de fadas temperado a sexo. E tem a maior vantagem de permitir um "final feliz" diferente a cada noite.

Beijos,
Ulisses e Penélope.



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